quinta-feira, 8 de abril de 2021

Em casa


Sobre a mesa, R$24,00 trocados para pagar o moço do queijo. Em volta, e até no chão, restos da borracha que ainda a pouco apagou bobagens sentimentais. Quase todo dia me lembro do Patralhão: baboseira, baboseira, baboseira... é só o que escrevo ultimamente. Resultado de um coração em frangalhos. Pandemia, home-office, obituários, outono...

Nada anda: o computador tropeça na memória abarrotada de arquivos inúteis, o sistema cai – por consequência, a produtividade. A internet, como o bêbado equilibrista da canção, vai-não-vai; fico sem saber onde estou.

O canto de Maria ecoa pela casa. No vizinho, alguém fura a parede. Segundo o infalível D.I.V.A (Departamento de Investigação da Vida Alheia), estão instalando internet. A dúvida paira no ar, densa e incômoda como as fumaças de agosto: como ele conseguiu viver até agora sem internet?! Em breve, os agentes infiltrados do D.I.V.A hão de descobrir...

A brisa não refresca o início de abril. O caminhão do Abacatinho por pouco não se choca com o táxi que entrou na contramão. Sem recôncavos e reconvexos, arrasto o viver esperando, ao menos, concluir o alvará que, pela terceira vez, um chatonildo me pediu pelo WhatsApp.   








Texto: Raphael Cerqueira Silva 
Foto: acervo do autor 

 

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